Autora: Karla Gabrielly Almeida
A presença da inteligência artificial na advocacia contenciosa deixou de ser tendência e passou a ser realidade. Escritórios que atuam com alto volume de demandas já utilizam ferramentas baseadas em IA para automatizar tarefas repetitivas, como classificação de processos, dentre outros serviços. A tecnologia atual oferece velocidade, consistência e redução de erros operacionais, permitindo uma atuação mais estratégica e até mais elaborada para a advocacia.
No dia a dia do contencioso, especialmente nas áreas de direito do consumidor, bancário e empresarial, a inteligência artificial possui papel fundamental na triagem de informações, geração de relatórios processuais e no monitoramento de prazos. Softwares jurídicos integrados a sistemas de IA conseguem, por exemplo, identificar teses mais utilizadas, propor argumentos com base em decisões anteriores e sugerir padrões de atuação conforme o histórico do juízo, do tribunal ou da região de atuação. Isso representa um ganho expressivo de tempo e eficiência para o advogado e para os escritórios.
No entanto, o uso da inteligência artificial não substitui o raciocínio jurídico humano, a sensibilidade e o olhar crítico do profissional. Cada caso tem nuances que exigem interpretação, empatia e estratégia, atributos que a IA ainda não é capaz de reproduzir com profundidade ante a especificidade de cada caso. Cabe ao advogado revisar o que é gerado automaticamente, ajustar com base na particularidade do processo e garantir que a atuação esteja alinhada aos princípios éticos, à realidade do cliente bem como os termos e serviços de cada empresa.
Outro ponto que merece atenção do utilizados das ferramentas, é o cuidado com os limites éticos e legais no uso da IA. A proteção de dados, a responsabilidade por petições mal elaboradas por sistemas automatizados e o respeito à individualização das defesas são questões que exigem atenção constante do operador do direito. O advogado continua sendo o responsável técnico pelo que é protocolado, e não pode delegar integralmente essa função a ferramentas, por mais sofisticadas e atuais que sejam.
Assim, a inteligência artificial deve ser vista como aliada, não como ameaça. A advocacia contenciosa que integra tecnologia de forma consciente, estratégica e ética ganha em produtividade sem perder a qualidade. O futuro da profissão não será da máquina, mas do advogado que souber usar a máquina com inteligência, propósito, cuidado e visão jurídica apurada.
Bibliografia:
ZANDAVELLE, Laura. Revolucionando o contencioso: aplicações práticas da inteligência artificial na advocacia. Caixa Preta da Advocacia, 2025. Disponível em: https://www.caixapretadaadvocacia.com/post/revolucionando‑o‑contencioso‑aplicacoes‑praticas‑da‑inteligencia‑artificial‑na‑advocacia.
MOURA, Alanna. O impacto da inteligência artificial na advocacia contenciosa. Blog JurisHand, 9 de maio de 2024. Disponível em: https://blog.jurishand.com/o-impacto-da-inteligencia-artificial-na-advocacia-contenciosa/.
AGUIAR, Márcio. A IA na advocacia: transformações, desafios e o futuro do Direito. Migalhas – De Peso, 15 out. 2024. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/426895/a-ia-na-advocacia-transformacoes-desafios-e-o-futuro-do-direito.